No dia 23 de junho de 2008 a diretoria do NAFROPM/SP – PMs de Axé (Núcleo de Religiões Afro-brasileiras dos Policiais Militares do Estado de São Paulo – PMs de Axé) foi recebida pelo Comandante Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, o Coronel Roberto Antônio Diniz.
O NAFROPM/SP – PMs de Axé foi representado pelos Capitães Mário e Fabri; Cabos Alexandre, Cardoso e Valdecyr; e os Soldados Damião e Francino; e o Tenente da reserva, Milton Aguirre, que além de ser membro do NAFROPM é presidente do SOUESP (Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo). A reunião, que aconteceu no Salão de Conferências do Quartel do Comando Geral, foi convocada pelo próprio Comandante Geral da Polícia Militar.
A reunião foi realizada para atender demanda expressa numa “carta de solicitação” entregue, por um grupo representativo de religiosos dos cultos Afro-brasileiros, ao Secretario da Justiça e da Cidadania, Dr. Luiz Antonio Marrey, no dia 07 de junho de 2008. Nessa missiva os Sacerdotes dos cultos Afro-brasileiros apresentavam várias reivindicações, entre elas, um melhor tratamento dos policiais militares aos adeptos dos cultos afro-brasileiros, fazendo uma série de ponderações ao poder público, destacando que os cultos afro-brasileiros e seus adeptos são tratados com desdém e de forma preconceituosa. O Secretário da Justiça, Dr. Marrey, em atendimento às reivindicações, solicitou uma reunião com o Secretário da Segurança Pública, Dr. Ronaldo Marzagão, e com o Comandante Geral da Polícia Militar, Coronel Roberto Antônio Diniz, realizada na sede da Secretaria da Segurança Pública em 17 de junho de 2008. Na reunião o Coronel Diniz expressou que a era uma excelente oportunidade para melhorar a prestação de serviços à comunidade, levando em consideração o “respeito aos direitos das pessoas”. Evidenciou que a PM precisa conhecer as práticas dos cultos afro-brasileiros e que o NAFROPM/SP – PMs de Axé surgia em hora oportuna. Nesse sentido o Coronel Diniz iria solicitar um concurso dos membros do NAFROPM/SP – PMs de Axé para um trabalho integrado com a Divisão de Polícia Comunitária e de Direitos Humanos da Polícia Militar, visando a elaboração de um plano de trabalho que apresentasse a todos os Policiais Militares os rituais, hábitos e tradições dos cultos afro-brasileiros, para serem conhecidos e respeitados e não encarados como atitudes suspeitas.
A reunião do Comandante Geral com o NAFROPM/SP – PMs de Axé
A reunião do dia 23 de junho foi uma grande ocasião para a comunidade afro-religiosa. Iniciou-se com palavras do Comandante Geral, Coronel Diniz, que parabenizou a idéia da criação do Núcleo de Religiões Afro-brasileiras dos Policiais Militares do Estado de São Paulo – PMs de Axé. Falou sobre a preocupação em dar um melhor atendimento às comunidades afro-religiosas e pediu o concurso do NAFROPM/SP – PMs de Axé na elaboração de cartilhas para a divulgação dos rituais, costumes e tradições dos cultos afro-brasileiros, bem como auxílio na reformulação dos currículos escolares de formação e aperfeiçoamento de Policiais Militares. Após o preâmbulo deixou a reunião a cargo da Tenente Coronel Maria Yamamoto, Chefe da Seção de Relações Públicas, e do Major Jackson, Chefe da Divisão de Polícia Comunitária e de Direitos Humanos.
A Tenente Coronel Maria pediu que se fizesse um histórico das religiões afro-brasileiras, principalmente das praticadas no Estado de São Paulo, destacando os rituais, costumes e tradições, para que isso fosse inserido em uma cartilha a ser distribuída a todos os Policiais Militares do Estado de São Paulo. Pediu, também, o concurso na elaboração de um “vídeo-instrução” sobre as religiões afro-brasileiras, que serviriam para uma melhor compreensão do que seria apontado na cartilha.
O Major Jackson pediu que o NAFROPM/SP – PMs de Axé ajudem na reformulação dos currículos de formação de praças e oficiais da Polícia Militar, onde seriam acrescidas, nas matérias de direitos humanos, informações sobre as religiões afro-brasileiras.
A reunião se encerrou com cânticos aos Orixás Exu e Ogun, em Ioruba e português, e com o Hino da Umbanda. Foi a primeira vez que cânticos afro-religiosos foram entoados no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, o que demonstra que os PMs de Axé estão, finalmente, sendo reconhecidos e ocupando seus espaços na Polícia Militar. Aproveitamos o ensejo para convidar os Policiais Militares e toda a comunidade a se juntarem ao NAFROPM/SP – PMs de Axé para que possamos defender nossa religiosidade e nossa liberdade de crença.
